Calos

Calos

         Quantos e quantas irmãos e irmãs tem nas mãos calos pela dura labuta em empunharem o cabo de uma enxada, em segurarem os braços de um arado, em retirarem as pedras do solo para poderem semear, carpir, cuidar, enfim colherem o fruto da semente lançada para seu sustento, dos seus e ainda para sustentarem os que forem pagar pelo duro trabalho.
         Outros e outras tem seus calos nas mãos pelo muito escrever, tricotar, costurar, lavar, passar, curar, construir... pelo uso do giz, do lápis, da caneta; calos do uso das agulhas para agasalhar, vestir, remendar, pelo limpar, preparar as vestes que outros usarão; outros ainda pelo uso dos instrumentos cirúrgicos, odontológicos, fisioterápicos para o alívio da dor, do sofrimento, da cura daqueles que os procuram; outros ainda pelo construir, amassando o barro, unindo os tijolos, dobrando as ferragens, elevando moradias para abrigarem outros sob seus tetos.
         Senhor, peço dê-me calos em minhas mãos ungidas, que finas e macias sejam calejadas pelo Servir, por plantar no coração dos irmãos e irmãs a Semente de vossa Palavra, pelo roçar o mato dos corações dos que me procuram e ajudá-los a produzirem frutos para a Humanidade e para saciarem a fome e a sede de tantos e tantas irmãos e irmãs carentes de vossa Palavra e Presença. Dê-me ter calos em minhas mãos pelo poder reerguer o irmão, a irmã caídos, a oferecer minhas mãos em atitude de ajuda, e que acolhem, dê-me ter calos por poder lavar, purificar, passar os corações arrependidos que encontraram em minhas mãos o vosso Perdão, auxílio e sustento na caminhada deles. Dê-me ter calos por poder erguer, quase que diariamente, o Pão da Vida e o Vinho da Salvação e oferecer-me como o Cristo como alimento do Alimento a que sirvo e servir aos irmãos e irmãs na Eucaristia celebrada. Dê-me ter calos nas mãos por anunciar e servir à vossa Palavra, que elas falem mais do que minha boca, que sirvam melhor para o acolher, unir e santificar.
         Senhor, dê-me ter as mãos calejadas por tanto vos amar e servir a Vós no meu próximo, sejam elas não perfuradas pelos cravos como as vossas, mas marcadas por calos pelo servir.

Pe. Luiz Cesar Moraes
Atibaia, 21 de setembro de 2010.
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